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Eu Vejo Flores

O Projeto “Eu Vejo Flores” teve início em março de 2016. Ele busca possibilitar caminhos de fortalecimento de identidades de mulheres e adolescentes, e conduzi-las por um processo de auto-valorização, para que, assim, ciclos de violência possam ser interrompidos.

Esses objetivos são alcançados por meio de intervenções que visam despertar, em cada uma, reflexões sobre a própria individualidade.

A partir do reconhecimento desse eu, até então anulado, passa a existir um encorajamento de se pensar nos seus respectivos papéis no mundo. Elas passam a caminhar em direção a uma visão mais autônoma de si, percebendo o que sempre foram: autoras das próprias vidas. Sabendo que devem valorizar a autoestima, acreditamos que essas mulheres e jovens possuem mais subsídios para romper com relações abusivas, as quais, de acordo com os relatos ouvidos, são recorrentes.

Num momento do projeto, ocorre um tempo de escuta das histórias das mulheres e jovens e de diálogo sob uma perspectiva da justiça restaurativa e de princípios que geram vida. A metodologia utilizada é a de processos circulares, proposta por Kay Pranis, com os círculos de construção de paz. O tema identidade passeia pelas seguintes abordagens: dignidade humana, o que é ser mulher, o papel delas na sociedade, relacionamentos saudáveis, pertencimento, autonomia. A conversa é conduzida com base em cinco pontos: eu tenho voz; eu sou amada; eu sou perdoada / eu sou livre; eu sou capaz; eu sou bela.

Em outro momento, são feitos retratos das mulheres participantes do projeto. Elas passam por etapas de produção de moda, cabelo, maquiagem e fotografia, realizadas por voluntárias do instituto. O objetivo é que as questões sobre autoestima e autonomia, abordadas nas rodas de conversa, sejam reforçadas com esta atividade. É aqui que elas olham dentro de nossos olhos e nos confessam – no silêncio da timidez perante a câmera – quem elas são ou estão em busca de ser de verdade. Sem filtros. Esse é o momento crucial para despertá-las a se ver de uma forma diferente.

Numa reflexão final, lembramos o quão visíveis elas são e dignas como seres humanos, independente da condição em que se encontram. É neste momento que entregamos a elas as imagens produzidas e as conduzimos por um processo individual de afirmação de quem elas são.