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Realidades Invisíveis

A exposição “Realidades Invisíveis” é fruto do trabalho de voluntários e voluntárias do projeto “Eu Vejo Flores”.

Nossa equipe esteve em uma unidade prisional no Paraná, em 2015, realizando rodas de conversa sobre identidade; e ensaios fotográficos, como forma de fortalecimento das identidades anuladas pelo cárcere.

Essa mostra é itinerante e tem circulado por diversos espaços públicos de Curitiba e Região Metropolitana, como PUCPR, Gráfica Opet e hall da Assembleia Legislativa do Paraná. Em dezembro de 2017, foi feita uma intervenção urbana com 6 retratos da exposição dispostos na praça Santos Andrade, uma praça de grande circulação e visibilidade na cidade. Enquanto as imagens interferiam a rotina do local, voluntárias do Instituto abordavam as pessoas, questionando-as sobre quem eram aquelas mulheres. Ao final da abordagem, explicava-se a realidade delas, inclusive pontuando sobre as situações de violência em que se encontravam ou se encontram, e o quanto o julgamento social está pautado em estereótipos.

O texto de abertura dessa exposição diz o seguinte:

Sem perceber, elas foram deixando suas realidades se aprisionarem. A primeira prisão não tinha grades nem algemas. Prisões provocadas pela ganância, pela obsessão mascarada de amor, pelo vício. Mas, com o tempo, a falta de liberdade se materializou em um caminho de grades e um cubículo dividido com mais três mulheres. Uma realidade sem escolhas cotidianas. Não se escolhe mais como o cabelo estará arrumado. Ele estará sempre preso. Não se escolhe mais que roupa vestir. A regra é camiseta branca e calça cinza. A individualidade é substituída pela massificação. E quem não se reconhece mais como indivíduo, é o quê? Tem direito a quê?

Estas mulheres, assim como tantas outras das 36 mil do sistema penal brasileiro, querem descobrir o seu melhor, reconciliar-se com quem são e poder construir novas realidades para as suas próprias vidas. Elas possuem tantos eus quanto qualquer um de nós. Realidades invisíveis a olhos nus.

Aqui, nesta exposição, convidamos você para enxergar essas muitas outras realidades que as compõem.

Sim, suas vidas foram marcadas pelo cárcere. Mas, o real que as constitui está além dessa denominação. Elas são mulheres. Elas são pessoas com direitos. Elas são mães. Elas são filhas. Elas são sonhadoras. Elas são visíveis.