14 março 2019 • Instituto Aurora

#MulheresQueLutamPorDireitos – Marielle Franco: “ocupar a política é fundamental para reduzir as desigualdades que nos cercam”

Não poderia ser diferente. A segunda personalidade a ter lugar em nossa série de publicações sobre mulheres que lutam pela defesa de direitos humanos tinha que ser Marielle Franco.

Hoje, o atentado que tirou a sua vida e a do motorista Anderson Gomes completa um ano.

Mas nós falamos em luta no presente, pois Marielle foi semente e continua viva em milhares de outras pessoas que seguem defendendo a liberdade, a justiça e a garantia de direitos essenciais.

Em sua memória, queremos relembrar a trajetória que a levou a acreditar que “ocupar a política é fundamental para reduzir as desigualdades que nos cercam”.

Marielle iniciou a militância em direitos humanos jovem. Ela havia ingressado no pré-vestibular comunitário quando perdeu uma amiga para uma bala perdida disparada em um tiroteio entre policiais e traficantes no Complexo da Maré, comunidade onde foi criada.

Quando se tornou mãe de uma menina, aos 19 anos, os direitos das mulheres entraram com mais força em sua luta e assim seguiram durante toda a sua vida.

Socióloga, mestre em Administração Pública, Marielle foi a quinta vereadora mais votada nas eleições do Rio de Janeiro, com 46.502 votos. Em 14 meses de mandato, apresentou 13 projetos de lei na Câmara. E a saúde da mulher foi uma das pautas mais defendidas por ela, que também se opunha à violência da Polícia Militar a à intervenção federal nas comunidades do Rio.

Foi Presidente da Comissão da Mulher na Câmara. Coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, ao lado de Marcelo Freixo. Trabalhou em organizações da sociedade civil, como o Centro de Ações Solidárias da Maré e a Brasil Foundation.

Na noite do atentado que tirou sua vida, em 14 de março de 2018, Marielle compartilhou suas vivências e sua luta em um evento chamado Mulheres Negras Movendo Estruturas.

Antes de ingressar na política e de ser filiada a um partido, Marielle era um ser humano que defendia direitos de uma população vulnerável. Em um país como o Brasil, que figura como o que mais mata defensores de direitos humanos na América Latina, precisamos lembrar que todos e todas deveríamos ser defensores de direitos. Defender direitos não é crime. Violar, sim.

Na última terça-feira, dia 12 de março, quase um ano após a morte de Marielle, dois suspeitos de seu assassinato foram presos: o policial reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Lima. O primeira teria efetuado os disparos que mataram Marielle e Anderson. O segundo teria seria o motorista do carro que os perseguiu. Mas dúvidas persistem. Ainda precisamos saber quem mandou matar Marielle.

O rosto de Marielle que você vê neste muro está pintado no Colégio Estadual Tiradentes, localizado no Centro de Curitiba, e faz parte de uma ação artística organizada pelo Instituto Aurora em parceria com o colégio e com o artista Cleverson Paes Pacheco.

A obra está sendo construída de forma coletiva entre o artista e os estudantes do Tiradentes, e irá formar um grande painel. Ela consiste na pintura em grafitti de rostos de mulheres que lutam por direitos humanos – as mesmas que estamos apresentando para vocês nesta série de posts.

Além de Marielle Franco, serão retratadas Atena Daemi (do Irã), Nguyen Ngoc Nhu Quynh (do Vietnã) e Malala Yousafazai (do Paquistão). Escolhemos estes nomes inspiradas na campanha Escreva por direitos, da Anistia Internacional.

E uma surpresa está por vir!

Em breve, iniciaremos uma campanha de financiamento coletivo para dar sequência a este projeto. Nela, você também poderá nos ajudar na escolha de um rosto a ser pintado no muro do Colégio. Ideias de quem pode ser a próxima mulher retratada?

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