01 março 2019 • Instituto Aurora

Depois de São Paulo, Instituto Aurora promove em Curitiba diálogo em agência de publicidade sobre assédio e violência contra a mulher

Ontem (28), foi o dia de nossa equipe falar sobre assédio no espaço urbano e masculinidades com os colaboradores da Agência Mirum da sede em Curitiba (PR). No dia 26, nosso encontro havia sido com os funcionários da Mirum de São Paulo (SP).

Desta vez, contamos com a presença de dois convidados e parceiros do Instituto Aurora muito especiais: Daniel Fauth e Taysa Schiocchet. Duas referências nos temas sobre os quais conversamos.

Daniel Fauth é graduado em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestrando em Direito Penal, especialista em criminologia e graduando em Psicologia na PUCPR. Ele apontou que a “função” do assédio não é a busca por algum resultado com a mulher, mas, sim, uma demonstração de poder. Comentou também que, quando um homem se sente ameaçado por uma mulher no ambiente de trabalho, por exemplo, é comum que ele faça uso do assédio e da violência, como uma forma de “colocá-la em seu lugar”.

Taysa Schiocchet, professora adjunta da Faculdade de Direito e do Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPR, doutora em Direito e coordenadora da Clínica de Direitos Humanos da Universidade, lembrou como situações como uma buzina ou a falta de iluminação, por exemplo, transformam-se em potenciais ameaças para mulheres. “Pensar nessas questões nos faz pensar no direito e na liberdade dos outros”, disse ela.

 

Relatos dos participantes estimularam reflexões urgentes

Quando a palavra foi aberta aos participantes do encontro, uma das mulheres relatou ter passado por uma experiência de relacionamento abusivo. Disse que uma das grandes dificuldades que enfrentou ao fim da relação foi a resistência de pessoas de seu convívio em reconhecerem o abusador como tal.

Outra participante comentou sobre como os homens se sentem empoderados em assediar as mulheres, mas que o contrário não acontece, porque a primeira reação da mulher tende a ser o medo.

Outra mulher relatou que estuda à noite e volta para casa de ônibus após as aulas. Sua irmã lhe questionou se ela já havia reparado na diferença em que mulheres e homens saem do terminal: enquanto os homens caminham, as mulheres saem correndo.

Também ouvimos o relato de uma participante, que contou que sempre pensa nas roupas que vai usar ao sair da casa. Não usa saia nem shorts. Disse, ainda, que houve uma vez em que saiu com o filho de 14 anos e um homem mexeu com ela. O menino ficou tão chocado com a situação que, ao voltar para casa, disse ao pai que não dava para “deixá-la” sair sozinha. Ela pediu ao filho que aquela experiência servisse de lição a ele, para nunca repetir com outras mulheres.

Taysa retomou a palavra, falando sobre a necessidade de tomarmos cuidado ao apoiarmos pessoas que passaram por situação de assédio e violência, para não expô-las a riscos maiores. Ela lembrou que muitas vezes o sistema não vai solucionar a questão.

A professora comentou, ainda, que normas sociais costuma moldar mais as nossas atitudes do que as jurídicas. “Situações de assédio sempre vão existir, mas, ao abrir o espaço para o diálogo, podemos gerar uma mudança cultural”, explicou.

Daniel relatou que ser o “chato” no ambiente masculino não é fácil, mas ao dialogar com outros homens sobre como algumas de suas atitudes ferem outras pessoas, essa conversa humaniza o relacionamento e aumenta a sua qualidade. Ele encerrou deixando três perguntas para reflexão do público: “De que forma o preconceito e o machismo agem no meu meio? Para que ele serve? Para que o nosso trabalho serve na reprodução desses discursos? Quando situações de assédio e violência acontecem neste ambiente, qual o procedimento a ser seguido?”.

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